A língua islandesa é falada por aproximadamente 300 mil pessoas na Islandia. O Islandês é uma língua nórdica descendente do ramo germânico. O islandês é considerado a língua mais conservadora das línguas escandinavas e representa um caso único de continuidade lingüística. O isolamento geográfico, somado a altas taxas de alfabetização na ilha desde o século XIII contribuíram para a estabilidade do idioma. A variedade moderna do idioma reteve o sistema de casos original do nórdico antigo, herdado do Indo-Europeu, e um vocabulário relativamente inalterado. De fato, as crianças na escola não têm grandes dificuldades em ler a Edda e as sagas em norueguês antigo. Escrevo, hoje, sobre a Língua islandesa porque vamos fazer uma viagem pela poesia daquelas bandas do mundo.
A literatura da Islandia, escrita nesta língua se dá apartir do século nono.Na literatura islandesa antiga há três poesias distintas: A Eddaica, a Skaldica e a Saga. Existem duas teorias para a etimologia da palavra Edda- o que vem do norueguês antigo, que significa bisavô; porém a mais provável que seja uma referência a Oddi, lugar onde o autor da Edda em prosa, Snorri Sturluson, nasceu.
Snorri Sturluson (gravura ao lado - 1890) nasceu em 1178 e morreu em 1242, foi historiador, poeta e político. Por duas vezes participou do parlamento islandês. Autor da Edda em prosa, que consiste em três partes: o Gylfaginning (uma narrativa de mitologia nórdica), o Skáldskaparmál (um livro sobre linguagem poética) e o Háttatal (uma lista de formas de verso). Além disso, ele foi o autor do Heimskringla, uma história dos reis nórdicos que começa na Ynglinga saga, com a história lendária, e vai até o começo da história medieval da Escandinavia. Como historiador e mitógrafo, Snorri é famoso por ter sustentado a teoria (na Edda em Prosa) que deuses mitológicos começam como líderes de guerra humanos e reis cujos sítios funerários se tornam objeto de culto. À medida que as pessoas os invocam esse líder morto quando vão à batalha, ou o rei morto quando eles em frente dificuldades nas tribos, elas começam a venerar a figura. Eventualmente, o rei ou soldado é lembrado apenas como um deus. Ele também propôs que quando uma tribo derrota outra, explica sua vitória dizendo que seus deuses estavam em guerra com os deuses dos outros.A Edda em verso (manuscrito ao lado) é uma coleção de antigos poemas e histórias nórdicas com origem no final do décimo século. Esses escritos vem da parte continental da Escandinávia e foram registradas em língua islandesa pela primaira vez no século treze. O manuscrito original da Edda poética é o Codex Regius, manuscrito islanês no qual está preservada a Edda poética e que é considerado como tendo sido escrito na década de 1270. Ele provavelmente foi escrito a partir de vários outros manuscritos que hoje não existem mais. Muitos dos poemas e das histórias contidas no manuscrito datam de antes da conversão da Escandinávia ao Cristianismo no fim do século dez. Foi .encontrado por Brynjólfur Sveinsson ( 1605-1675), bispo luterano de Skalhot - uma vila situada ao sul da Islandia entre os rios Hvítá e Brúará.
Ainda sobre a Edda em prosa, esta é a principal fonte para se entender a mitologia nórdica e algumas das características da poesia islandesa medieval. São histórias mitológicas e Kennings. O Kenning, na literatura germânica medieval, é uma figura de linguagem poética que substitui o nome de uma pessoa ou coisa. a própria palavra Kenning deriva de uma expressão norueguesa antiga "kenna eitt vio" ( que significa expressar uma coisa em termos de outra) - são expressões bastantes usuais também na literatura anglo-saxônica e na literatura Celta. Os Kennings são particularmente associados com a prática de poesia aliterativa, onde há tendência de se tornarem fórmulas fixas para a escrita poética. Os Skalds (bardos das cortes Vikings) faziam uso freqüente dessas expressões a tal ponto de serem vistas como um elemento essencial do verso Skáldico.
Em métrica, o verso aliterativo é uma forma de verso que usa aliteração como principal método de estruturação para unificar linhas de poesia, ao contrário de outros métodos como a rima.Aliteração: figura de linguagem que consiste em repetir sons de vogais em um verso ou em uma frase, especialmente as sílabas tônicas. A assonância é largamente utilizada em poesias mas também pode ser empregada em prosas, especialmente em frases curtas.
As tradições de verso aliterativo estudadas mais intensamente são aquelas encontradas na literatura mais antiga de muitas línguas germânicas. Verso aliterativo, em várias formas, é encontrado largamente na tradição literária das línguas germânicas antigas. O épico inglês antigo Beowulf assim como a maior parte da poesia anglo-saxã, o Muspilli antigo alto alemão, o Heliand antigo saxão e a Edda Poética norueguesa antiga foram todos escritos em verso aliterativo.
A poesia Skáldica é diferente da Eddaica. Ao invés de falar sobre histórias mitológicas a poesia Skaldica era cantada em honra dos nobre e dos reis, para satirizar eventos importantes ou recentes (uma batalha vencida por um rei, por exemplo). A poesia skaldica é escrita com um sistema métrico estrito,verso aliterativos e com muitas figuras de linguagem: a preferida delas eram as kennings, que deixavam o texto muitas vezes incompreensível para alguém que não as conhecesse, além de usar de muita “licensa artística” no que diz respeito à ordem das palavras e a sintaxe.
Enquanto as Eddas são fantasiosas e contêm histórias mitológicas, as Sagas são normalmente realistas e lidam com fatos reais. Apesar disso, existem sagas lendárias, sagas de santos e bispos e romances traduzidos; algumas vezes, também, algumas referências mitológicas são adicionadas e a história é feita mais fantástica e romântica do que realmente foi. As Sagas são a principal fonte para o estudo da história da Escandinávia entre os séculos nono e décimo terceiro. As Sagas são histórias em prosa escritas em nórdico antigo que falam sobre fatos históricos ou lendários do mundo escandínavo e germânico. Por exemplo: a migração para a Islândia, a descoberta de Vinlandou a história dos primeiros habitantes deGotland etc.
Eis um trecho de Beowulf (em inglês)...
"BEOWULF
BEOWULF PRELUDE OF THE FOUNDER OF THE DANISH HOUSE
LO, praise of the prowess of people-kings of spear-armed Danes, in days long sped, we have heard, and what honor the athelings won! Oft Scyld the Scefing from squadroned foes, from many a tribe, the mead-bench tore, awing the earls. Since erst he lay friendless, a foundling, fate repaid him: for he waxed under welkin, in wealth he throve, till before him the folk, both far and near, who house by the whale-path, heard his mandate, gave him gifts: a good king he! To him an heir was afterward born, a son in his halls, whom heaven sent to favor the folk, feeling their woe that erst they had lacked an earl for leader so long a while; the Lord endowed him, the Wielder of Wonder, with world's renown. Famed was this beowulf: far flew the boast of him, son of Scyld, in the Scandian lands. So becomes it a youth to quit him well with his father's friends, by fee and gift, that to aid him, aged, in after days, come warriors willing, should war draw nigh, liegemen loyal: by lauded deeds shall an earl have honor in every clan.
Forth he fared at the fated moment, sturdy Scyld to the shelter of God. Then they bore him over to ocean's billow, loving clansmen, as late he charged them, while wielded words the winsome Scyld, the leader beloved who long had ruled.... In the roadstead rocked a ring-dight vessel, ice-flecked, outbound, atheling's barge: there laid they down their darling lord on the breast of the boat, the breaker-of-rings, by the mast the mighty one. Many a treasure fetched from far was freighted with him. No ship have I known so nobly dight with weapons of war and weeds of battle, with breastplate and blade: on his bosom lay a heaped hoard that hence should go far o'er the flood with him floating away. No less these loaded the lordly gifts, thanes' huge treasure, than those had done who in former time forth had sent him sole on the seas, a suckling child. High o'er his head they hoist the standard, a gold-wove banner; let billows take him, gave him to ocean. Grave were their spirits, mournful their mood. No man is able to say in sooth, no son of the halls, no hero 'neath heaven, who harbored that freight!"
Em breve postarei aqui Literatura Islandesa medieval, moderna e contemporânea.
Um abraço e até!











