Sábado, Outubro 17, 2009

Literatura Islandesa Antiga

Olá!

A língua islandesa é falada por aproximadamente 300 mil pessoas na Islandia. O Islandês é uma língua nórdica  descendente  do ramo germânico. O islandês é considerado a língua mais conservadora das línguas escandinavas e representa um caso único de continuidade lingüística. O isolamento geográfico, somado a altas taxas de alfabetização na ilha desde o século XIII contribuíram para a estabilidade do idioma. A variedade moderna do idioma reteve o sistema de casos original do nórdico antigo, herdado do Indo-Europeu, e um vocabulário relativamente inalterado. De fato, as crianças na escola não têm grandes dificuldades em ler a Edda e as sagas em norueguês antigo. Escrevo, hoje, sobre a Língua islandesa porque vamos fazer uma viagem pela poesia daquelas bandas do mundo.

A literatura da Islandia, escrita nesta língua se dá apartir do século nono.Na  literatura islandesa antiga há três poesias distintas: A Eddaica, a Skaldica e a Saga. Existem duas teorias para a etimologia da palavra Edda- o que vem do norueguês antigo, que significa bisavô; porém a mais provável que seja uma referência a Oddi, lugar onde o autor da Edda em prosa, Snorri Sturluson, nasceu.

Snorri Sturluson  (gravura ao lado - 1890) nasceu em 1178 e morreu em 1242, foi  historiador, poeta e político. Por duas vezes participou do parlamento islandês. Autor da Edda em prosa, que consiste em três partes: o Gylfaginning (uma narrativa de mitologia nórdica), o Skáldskaparmál (um livro sobre linguagem poética) e o Háttatal (uma lista de formas de verso). Além disso, ele foi o autor do Heimskringla, uma história dos reis nórdicos que começa na Ynglinga saga, com a história lendária, e vai até o começo da história medieval da Escandinavia. Como historiador e mitógrafo, Snorri é famoso por ter sustentado a teoria (na Edda em Prosa) que deuses mitológicos começam como líderes de guerra humanos e reis cujos sítios funerários se tornam objeto de culto. À medida que as pessoas os invocam esse líder morto quando vão à batalha, ou o rei morto quando eles em frente dificuldades nas tribos, elas começam a venerar a figura. Eventualmente, o rei ou soldado é lembrado apenas como um deus. Ele também propôs que quando uma tribo derrota outra, explica sua vitória dizendo que seus deuses estavam em guerra com os deuses dos outros.



A Edda em verso (manuscrito ao lado) é uma coleção de antigos poemas e histórias nórdicas com origem no final do décimo século.  Esses escritos vem da parte continental da Escandinávia e foram registradas em língua islandesa pela primaira vez  no século treze. O manuscrito original da Edda poética é o Codex Regius, manuscrito islanês no qual está preservada a Edda poética e que é considerado como tendo sido escrito na década de 1270. Ele provavelmente foi escrito a partir de vários outros manuscritos que hoje não existem mais. Muitos dos poemas e das histórias contidas no manuscrito datam de antes da conversão da Escandinávia ao Cristianismo no fim do século dez. Foi .encontrado por Brynjólfur Sveinsson ( 1605-1675), bispo luterano de Skalhot - uma vila situada ao sul da Islandia entre os rios Hvítá e Brúará.

Ainda sobre a  Edda em prosa, esta é a principal fonte para se entender a mitologia nórdica e algumas das características da poesia islandesa medieval. São histórias mitológicas e Kennings. O Kenning, na literatura germânica medieval, é uma figura de linguagem poética que substitui o nome de uma pessoa ou coisa. a própria palavra Kenning deriva de uma expressão norueguesa antiga "kenna eitt vio" ( que significa expressar uma coisa em termos de outra) - são expressões bastantes usuais também na literatura anglo-saxônica e na literatura Celta. Os Kennings são particularmente associados com a prática de poesia aliterativa, onde há tendência de se tornarem fórmulas fixas para a escrita poética. Os Skalds (bardos das cortes Vikings) faziam uso freqüente dessas expressões a tal ponto de serem vistas como um elemento essencial do verso Skáldico.

Em métrica, o verso aliterativo é uma forma de verso que usa aliteração como principal método de estruturação para unificar linhas de poesia, ao contrário de outros métodos como a rima.Aliteração: figura de linguagem que consiste em repetir sons de vogais em um verso ou em uma frase, especialmente as sílabas tônicas. A assonância é largamente utilizada em poesias mas também pode ser empregada em prosas, especialmente em frases curtas.

As tradições de verso aliterativo estudadas mais intensamente são aquelas encontradas na literatura mais antiga de muitas línguas germânicas. Verso aliterativo, em várias formas, é encontrado largamente na tradição literária das línguas germânicas antigas. O épico inglês antigo Beowulf assim como a maior parte da poesia anglo-saxã, o Muspilli antigo alto alemão, o Heliand antigo saxão e a Edda Poética norueguesa antiga foram todos escritos em verso aliterativo.


A poesia Skáldica é diferente da Eddaica. Ao invés de falar sobre histórias mitológicas a poesia Skaldica era cantada em honra dos nobre e dos reis, para satirizar eventos importantes ou recentes (uma batalha vencida por um rei, por exemplo). A poesia skaldica é escrita com um sistema métrico estrito,verso aliterativos e com muitas figuras de linguagem: a preferida delas eram as kennings, que deixavam o texto muitas vezes incompreensível para alguém que não as conhecesse, além de usar de muita “licensa artística” no que diz respeito à ordem das palavras e a sintaxe.


Enquanto as Eddas são fantasiosas e contêm histórias mitológicas, as Sagas são normalmente realistas e lidam com fatos reais. Apesar disso, existem sagas lendárias, sagas de santos e bispos e romances traduzidos; algumas vezes, também, algumas referências mitológicas são adicionadas e a história é feita mais fantástica e romântica do que realmente foi. As Sagas são a principal fonte para o estudo da história da Escandinávia entre os séculos nono e décimo terceiro. As Sagas são histórias em prosa escritas em nórdico antigo que falam sobre fatos históricos ou lendários do mundo escandínavo e germânico. Por exemplo: a migração para a Islândia, a descoberta de Vinlandou a história dos primeiros habitantes deGotland etc.

Eis um trecho de Beowulf (em inglês)...

"BEOWULF

BEOWULF PRELUDE OF THE FOUNDER OF THE DANISH HOUSE



LO, praise of the prowess of people-kings of spear-armed Danes, in days long sped, we have heard, and what honor the athelings won! Oft Scyld the Scefing from squadroned foes, from many a tribe, the mead-bench tore, awing the earls. Since erst he lay friendless, a foundling, fate repaid him: for he waxed under welkin, in wealth he throve, till before him the folk, both far and near, who house by the whale-path, heard his mandate, gave him gifts: a good king he! To him an heir was afterward born, a son in his halls, whom heaven sent to favor the folk, feeling their woe that erst they had lacked an earl for leader so long a while; the Lord endowed him, the Wielder of Wonder, with world's renown. Famed was this beowulf: far flew the boast of him, son of Scyld, in the Scandian lands. So becomes it a youth to quit him well with his father's friends, by fee and gift, that to aid him, aged, in after days, come warriors willing, should war draw nigh, liegemen loyal: by lauded deeds shall an earl have honor in every clan.

Forth he fared at the fated moment, sturdy Scyld to the shelter of God. Then they bore him over to ocean's billow, loving clansmen, as late he charged them, while wielded words the winsome Scyld, the leader beloved who long had ruled.... In the roadstead rocked a ring-dight vessel, ice-flecked, outbound, atheling's barge: there laid they down their darling lord on the breast of the boat, the breaker-of-rings, by the mast the mighty one. Many a treasure fetched from far was freighted with him. No ship have I known so nobly dight with weapons of war and weeds of battle, with breastplate and blade: on his bosom lay a heaped hoard that hence should go far o'er the flood with him floating away. No less these loaded the lordly gifts, thanes' huge treasure, than those had done who in former time forth had sent him sole on the seas, a suckling child. High o'er his head they hoist the standard, a gold-wove banner; let billows take him, gave him to ocean. Grave were their spirits, mournful their mood. No man is able to say in sooth, no son of the halls, no hero 'neath heaven,  who harbored that freight!"

Em breve postarei aqui Literatura Islandesa medieval, moderna e contemporânea.


 Um abraço e até!

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

James Joyce

Olá!

Vasculhando a www, mais precisamente no Google Livros, encontrei uma preciosidade: "James Joyce -Poems", da Classic Poetry Series, do ano de 2004. O referido livro foi encontrado no site www.poemhunter.com .

James Augustine Aloysius Joyce nasceu em Dublin, à dois de de fevereiro de 1882. Considerado um dos maiores expoentes da literatura mundial do século XX. As obras mais conhecidas de Joyce são o volume de contus "dublinenses" (1914), retrato do artista quando jovem" (1916), "Ulysses" (1922) e "Finnegans Wake" (1939). Embora tenha vivido a maior parte da vida fora da Irlanda, Seu universo ficcional é influenciado fortemente em Dublin e reflete sua vida familiar e eventos, amizades e inimizades dos tempos de escola e faculdade. Desta forma, ele é ao mesmo tempo um dos mais cosmopolitas e um dos mais particularistas dos autores modernistas de língua inglesa.
Joyce foi a Paris pela primeira vez em 1902 para estudar medicina (à época, havia também um efervescente movimento artístico em Montparnasse e Montmartre). Busca manter-se como jornalista e professor particular. Em janeiro do 1904, escreve Um Retrato do Artista, um ensaio-narrativa sobre estética, em um dia, mas a obra é recusada pela revista livre-pensante Dana. Em seu vigésimo-segundo aniversário, decide revisar a história e transformá-la num romance que ele planejava chamar Stephen Hero (Stephen Herói). No mesmo ano, publica seu primeiro trabalho na idade adulta: a sátira desaforada O Santo Ofício, na qual proclamava-se superior a muitos membros proeminentes da Renascença Céltica e afirma sua herança lingüística inglesa.


Ainda em 1904 ele conheceu Nora Barnacle, uma jovem do Condado de Galway, que trabalhava como camareira e viria a ser sua companheira por toda a vida. Joyce escolheu o dia 16 de junho para ser imortalizado em sua obra Ulisses porque foi nesse dia em que fez sexo pela primeira vez com Nora, à época uma jovem virgem de vinte anos, apesar de a imprensa irlandesa publicar que nesse dia eles "caminharam juntos" pela primeira vez. Na verdade, Nora teve medo de completar o coito e o masturbou "com os olhos de uma santa", como Joyce relatou em uma carta em que relembrou o acontecido. Joyce ainda permanece em Dublin por um tempo, bebendo bastante. Vai morar com o estudante de medicina Oliver St John Gogarty, que serviu de base para a personagem Buck Mulligan em Ulisses. Depois de dormir por seis noites na Torre Martello, de Gogarty, ele sai após ambos discutirem, embebeda-se em um bordel e envolve-se numa briga, da qual é resgatado por Alfred Hunter, um conhecido de seu pai; Hunter, um judeu irlandês, fornece o modelo para Leopold Bloom, o herói de Ulisses.

Pouco depois, ele foge com Nora. O casal parte em exílio auto-imposto, indo primeiro para Pula (hoje na Croácia) e depois Trieste (Itália), ambas então na Áustria-Hungria, para ensinar inglês na escola Berlitz. Um de seus alunos triestinos foi Ettore Schmitz; eles se conheceram em 1907, e por longo tempo foram amigos e críticos mútuos. Joyce passou a maior parte das décadas seguintes no Continente. Aí nasceriam seus filhos Giorgio (1905) e Lucia (1907). Em 1914 com o início da guerra, a permanência dos Joyce em território austro-húngaro se torna impossível, já que eram cidadãos britânicos e, portanto, inimigos. Assim, em 1915, Joyce e Nora se mudam para a neutra Suíça; após breves estadas em outras cidades, se estabelecem em Zurique.



Eventos importantes da primeira estadia suíça de Joyce são a publicação de Exilados, a continuidade da composição de Ulisses, a primeira crise de iridite, que iria piorando sua visão ao longo das décadas, e a publicação de seu primeiro romance, Retrato do Artista Quando Jovem. O Retrato é uma recriação completa do romance abandonado "Stephen Herói". Autobiográfico em larga medida, o romance mostra a obtenção de maturidade e auto-consciência de um jovem inteligente. O protagonista é Stephen Dedalus, a representação joyceana de si mesmo. Neste romance, é possível observar técnicas posteriores do escritor, no uso do monólogo interior e na maior preocupação com o psíquico em relação à realidade externa. Além disso, a linguagem amadurece ao longo do livro, conforme o personagem amadurece e torna-se capaz de narrar seu mundo de maneira cada vez mais sofisticada.

Com o fim da guerra, Joyce retorna a Paris em 1920 onde, exceto por duas visitas à Irlanda, permaneceu pelos vinte anos seguintes. Em Paris que Joyce sofre diversas operações nos olhos a partir de 1924. Conclui suas duas maiores obras, obtendo amplo reconhecimento pelo Ulisses e reações diversas pelo Finnegans Wake, e torna-se uma referência para os modernistas de língua inglesa, especialmente jovens irlandeses como Samuel Beckett. Em 1931, James e Nora se casam, em Londres. Ele publicará, em 1927, seu segundo livro de poesia, Poemas, um Tostão Cada. Escreve também Ecce Puer, um poema escrito em 1932, sobre dois eventos próximos, a morte de seu pai e o nascimento de seu neto. Publica-os, juntamente com a demais obra poética, em Collected Poems (Poesia reunida), em 1936.
Nesssa nova descoberta me encantei com alguns poemas de Joyce como:

All Day Hear the Noise of Waters

All day i hear the noise of waters
makeng moan,
Sad as the sea-bird is when, going
forth alone,
He hears the winds cry to the water's monotone.

The grey winds, the cold winds are blowing
Where I go.
I hear the noise of many waters
far below.
All day, all night, I hear them flowing
To and fro.



Now, O Now in This Brown Land

Now, O now, in this brown land
Where love did so sweet music make
We two shall wander, hand in hand,
Forbearing for old friendship' sake,
Nor grieve because our love was gay
Which now is ended in this way.

A rogue red and yellow dress
Is Knocking, Knocking at the tree;
and all around our loneliness
The wind is whistling merrily.
The leaves - they do not sigh at all
When the year takes them in the fall.

Now, O now, we hear no more
The vilanelle and roundelay!
Yet will we Kiss, sweetheart, before
We take sad leave at close of day.
Grieve not, sweetheart, for anything
The year, the year is gathering.


Um Abraço e até!

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Olá!

Carlos Drumond de Andrade é um poeta fantástico, disso ninguém duvida. Agora os internautas mais atentos poderão conhecer um pouco mais sobre este Mineiro de Itabira no site dedicado a ele. www.carlosdrumonddeandrade.com.br
o única crítica que faço é a Rádio Drumond, onde pode-se ouvir o poeta declamando suas poesias, mais a trilha é eletrônica. O Poeta carlos merecia uma sonorização bem melhor e mais criativa. Mas tudo bem, dos males o menor - HÁ UM SITE SOBRE DRUMOND. acessem e confiram.

Um abraço e até!

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Drummond Erótico

Olá!

Carlos drummond de Andrade sempre me surpreende, a cada estrófe, a cada poesia. Nas minhas andanças pela internet encontrei textos eróticos de Drummond. Nada mais a declarar vamos a uma delas:

Mimosa Boca Errante

Mimosa Boca errante
à superfície até achar o ponto
em que apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que o fruto a boca se premitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados,
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Mimosa boca santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lembente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega a beber-me,
de matar-te, e, na morte, de viver-me.
Já sei a eternidade: é puro orgasmo.

Um abraço ( ou um gozo) e até!

Sexta-feira, Julho 24, 2009

O Poema Épico

Olá!

Um dos mais difíceis gêneros de poesia é a Épica. Longa narrativa de feitos heróicos e/ou históricos de um personagem, ou vários, de uma nação. A poesia Épica ou Epopéia revela para aa eternidade lendas e tradições seculares preservados pela tradição oral ou escrita. A epopeia pertence ao género épico, mas embora tenha fundamentos históricos, não representa os acontecimentos com fidelidade, geralmente reveste os acontecimentos relatados com conceitos morais e atos exemplares que funcionam como modelos de comportamento.
No oriente podemos salientar o Mahabharata, um dos dois maiores poemas épicos indianos, juntamente co o Ramáiana. A autoria é atribuida a Krishna Dvapayana Vyasa, Com mais de 74 mil versos - em sânscrito -, podendo chegar a 90 mil, constituindo, então, ser a maior volume de texto em uma única obra. É considerado o texto sagrado mais importante do Hinduísmo, um verdadeiro manual da evolução do SER. O título pode ser traduzido como "a grande Índia" (literalmente "a grande dinastia de Bárata"), mas o sentido verdadeiro é o de elucidar o grande trajeto percorrido pelo eu (atma) nesta criação material e fora dela. A obra é considerada pelos hindus uma narrativa histórica real, e parte do Itihasa ("aquilo que aconteceu") hindu, juntamente com o Ramáiana e alguns textos dos Puranas.
No ocidente, os primeiros poemas épicos são a Ilíada e a Odisséia de Homero, que tem origem nas lendas troianas. Mas não somente o Gregos a fizeram, também os Romanos como Virgílio e a sua "Eneida", "A Divina Comédia" do Italiano Dante Aleghieri, os anônimos "Beowulf" e "a Epopéia de Gilgamesh" - o primeiro ìnglês e o segundo Sumério, A "canção de Rolando", Anônima Francesa, "Os Lusiadas", de Luiz vaz de Camões (seria impressindível dizer que é português? - fota abaixo à direita).
A poesia épica do Arcadismo brasileiro trouxe inovações, que a diferenciou ainda mais do modelo europeu. Temas da história colonial em meio à descrição da paisagem tropical do país e a inserção do índio como herói, mesmo que ainda coadjuvante do homem branco. São as novas perspectivas que começam a delinear uma literatura nacionalista, a ser fundada durante o Romantismo. Dentre os autores mais conhecidos estão Basílio da Gama e seu O Uraguai, o Frei José de Santa Rita Durão com Caramuru e o poema Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa.

CLIQUE AQUI PARA LER "CARAMURÚ", DE FREI SANTA RITA DURÃO

Nas Américas, em tempos contemporâneos podemos também citar como poemas épicos, narrativas de Oewald de Andrade em "Memórias sentimentais de João Miramar" e "Serafim Ponte Grande", Pablo Neruda em "Canto geral" e ainda o não menos genial Sousândrade em "O Guesa Errante".
Em breve novas histórias épicas, aguardem!

Um abraço e até!

Domingo, Julho 12, 2009

Pablo Neruda

Olá!

Pablo Neruda nasceu em Parral, em 12 de julho de 1904, como Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto. Era filho de José del Carmen Reyes Morales, um operário ferroviário, e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária, morta quando Neruda tinha apenas um mês de vida. Ainda adolescente adotou o pseudônimo de Pablo Neruda (inspirado no escritor checo Jan Neruda), que utilizaria durante toda a vida, tornando-se seu nome legal, após ação de modificação do nome civil.

Em 1906 seu pai se transferiu para Temuco, onde se casou com Trinidad Candia
Marverde, que o poeta menciona em diversos textos, como "Confesso que vivi" e "Memorial de Ilha Negra", como o nome de Mamadre. Estudou no Liceu de Homens dessa cidade e ali publicou seus primeiros poemas no periódico regional A Manhã. Em 1919 obteve o terceiro lugar nos Jogos Florais de Maule com o poema Noturno Ideal.

Em 1921 radicou-se em Santiago e estudou pedagogia em francês na Universidade do Chile, obtendo o primeiro prêmio da festa da primavera com o poema "A Canção de Festa", publicado posteriormente na revista Juventude. Em 1923 publica Crespusculário, que é reconhecido por escritores como Alone, Raúl Silva Castro e Pedro Prado. No ano seguinte aparece pela Editorial Nascimento seus Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, no que ainda se nota uma influência do modernismo. Posteriormente se manifesta um propósito de renovação formal de intenção vanguardista em três breves livros publicados em 1936: O habitante e sua esperança, Anéis (em colaboração com Tomás Lagos) e Tentativa do homem infinito.

Em 1927 começa sua longa carreira diplomática quando é nomeado cônsul em Rangum, na Birmânia. Em suas múltiplas viagens conhece em Buenos Aires Frederico Garcia Lorca e, em Barcelona, Rafael Alberti. Em 1935, Manuel Altolaguirre entrega a Neruda a direção da revista Cavalo verde para a poesia na qual é companheiro dos poetas da geração de 1927. Nesse mesmo ano aparece a edição madrilenha de Residência na terra.

Em 1936, eclode a Guerra Civil espanhola; Neruda é destituído do cargo consular e escreve Espanha no coração. Em 1945 é eleito senador e obtém o Prêmio Nacional de Literatura. No mesmo ano, lê para mais de 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes. Em 1950 publica Canto Geral, em que sua poesia adota intenção social, ética e política. Em 1952 publica Os Versos do Capitão e em 1954 As uvas e o vento e Odes Elementares.

Em 1953 constrói sua casa em Santiago, apelidada de "La Chascona", para se encontrar clandestinamente com sua amante Matilde, a quem havia dedicado Os Versos do Capitão. A casa foi uma de suas três casas no Chile, as outras estão em Isla Negra e Valparaíso. "La Chascona" é um museu com objetos de Neruda e pode ser visitada, em Santiago. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Lênin da Paz.

Em 1958 apareceu Estravagario com uma nova mudança em sua poesia. Em 1965 lhe foi outorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, Grã-Bretanha. Em outubro de 1971 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Após o prêmio, Neruda é convidado por Salvador Allende para ler para mais de 70 mil pessoas no Estadio Nacional de Chile.

Morreu em Santiago em 23 de setembro de 1973, de câncer na próstata. Postumamente foram publicadas suas memórias em 1974, com o título "Confesso que vivi" .

Em 1994 um filme chamado Il Postino (também conhecido como O Carteiro e O Poeta ou O Carteiro de Pablo Neruda no Brasil e em Portugal) conta sua história numa ilha na Itália com sua terceira mulher Matilde. No filme Neruda torna-se amigo de um carteiro que lhe pede para ensinar a escrever versos (para poder conquistar uma bonita moça do povoado).

Durante as eleições presidenciais do Chile nos anos 70, Neruda abriu mão de sua candidatura para que Allende vencesse, pois ambos eram marxistas e acreditavam numa América Latina mais justa o que, a seu ver, poderia ocorrer com o socialismo. De acordo com Isabel Allende, em seu livro Paula, Neruda morreu de "tristeza" em setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Allende.

fonte: www.wikipedia.org


"Antes do Chinó e do fraque
foram os rios, rios arteriais:
foram as cordilheirasem cuja vaga puída
o condor ou a neve pareciam imóveis;
foi a umidade e a mata, o trovão,
sem nome ainda, s pampas planetárias.

O homen terra foi, vasilha, pálpebra
do barro trêmulo, forma de argila,
foi cântaro caraiba, pedra chibcha,
taça imperial ou sílica araucana.
Terno e sangrento foi, porém no punho
de sua arma de cristal umedecido
as iniciais da terra estavam
escritas."

(trecho inicial de "Canto geral", "Amor América de Pablo neruda)

Um Abraço e até!

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Está lá!

Vasco Mouzinho de Quebedo e Castelbranco (séc. XVI – séc. XVII), poeta português nascido em Setúbal. Descendente da nobre família dos Quebedos, de Setúbal, de uma forma ou outra sempre ligados à corte, às leis e às letras, nasceu provavelmente na década de 1560/70 e faleceu na década de 1620/30, formou-se também em Direito Canónico e Civil pela Universidade de Coimbra (entre 1585 e 1596). É filho de Francisco Mousinho e neto do clérigo Vasco Anes de Mousinho. Talvez por esta condição de filho natural no seio da família, não se encontre referências do poeta nos registos paroquiais.

A sua primeira obra, o Discurso sobre a vida e morte de Santa Isabel, Rainha de Portugal, e outras varias rimas (Lisboa, Manoel de Lyra, 1596) é um poema épico à vida e morte da Rainha Santa Isabel e as outras varias rimas são 50 sonetos, seguidos de 51 emblemas, um poema em tercetos, uma écloga incompleta, 28 romances e 38 glosas. Publicou também o poema épico Afonso Africano (Lisboa, António Álvares, 1611), com base no qual Almeida Garrett afirma de Quevedo: «depois de Camões, o nosso primeiro épico». Há ainda alguns poemas dispersos e o manuscrito Dialogos de varia doctrina (conhece-se apenas referências sobre estes).

A publicação da sua última obra, o Triunfo del Monarca Filipe Terceiro en la feliccisima entrada de Lisboa, (Lisboa, Jorge Rodrigues, 1619), em momento de generalizado repúdio contra a Dinastia Filipina, granjeou-lhe a fama de antipatriota – o que é considerado infundado (Vasco Mousinho fez um poema enaltecendo o Rei Felipe 3º, da Espamha) e terá provocado o esquecimento a que foi votado. Nos séculos XVI e XVII vários foram os poetas que escreveram poemas épicos ao gosto e sabor de Os Lusíadas. Destacamos: Sucesso do Segundo Cerco de Diu (1584), de Jerónimo Corte-Real (1530? - 1588), Ulisseia ou Lisboa Edificada (1636), de Gabriel Pereira de Castro (1571 - 1632), Malaca conquistada (1634), de Francisco de Sá de Meneses (1600 - 1664), Ulissipo (1640), de António de Sousa de Macedo (1606 - 1682).

Também Vasco Mouzinho da Quebedo escreveu o seu poema épico, ao gosto de 'Os Lusíadas', mas entre todos o mais original de todos. Afonso Africano: poema heróico da presa de Arzila e Tânger, texto épico, é tido como a obra mais importante de Vasco Mouzinho de Quevedo, foi editado em Lisboa, no ano de 1611, e é considerado como um dos melhores do género depois de 'Os Lusíadas', na opinião de Manuel Severim de Faria e de Almeida Garrett.

Esta obra assinala uma mudança estilística e ideológica. Embora ainda influenciado por Camões, nomeadamente a nível formal, Vasco Mouzinho de Quevedo abandona as figuras históricas e recorre à alegoria moral e religiosa. O poema é ideologicamente marcado pela Contra-Reforma e tem como modelo literário o poema Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso.

D. Afonso V é Homem Forte que inspirado em sonhos por uma donzela, a Fé, conquista, em Arzila, a Cidade da sua própria alma, forçando cinco portas, que são os Cinco Sentidos, mediante a luta entre cavaleiros cristãos e mouros, cujos emblemas representam outras tantas virtudes ou vícios opostos. Eis uma exelente leitura, mas atentemos para o Protuguês "arcaico" difícil de se ler e entender nestes tempos de internet, mídia eletrônica, a velocidade e facilidade das informações. Faz-se necessário paciência e leitura acurada. de qualquer modo Boa leitura. Aqui vai olink para baixar e ler Affonso Africano.

Um abraço e até!